O perigo dos germes hospitalares

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Esse é o grau de germes hospitalares

Esse é o grau de perigo de germes hospitalares

 

Enfermarias livres de germes, instrumentos esterilizados e mãos limpas: Quem for tratado num hospital, espera via de regra elevados padrões de higiene. Mesmo assim, centenas de milhares de pessoas são anualmente infectadas com germes perigosos nos hospitais alemães. Milhares morrem disto, como em agosto de 2011 três recém-nascidos em um hospital de Bremen. Bactérias, que são largamente insensíveis aos antibióticos, são um problema crescente em hospitais, consultórios médicos e lares de idosos. Respondemos as perguntas mais importantes sobre o tema:

 

Trata-se de quais causadores patogênicos?

 

Na maioria dos casos trata-se do Staphylococcus Aureus resistente à Metilicina – curto MRSA. A cepa de bactérias pode causar infecções severas e até mortais e é resistente à maioria dos antibióticos como a penicilina. Conhecido como enterococos resistentes à vancomicina (VRE) pode causar doenças intestinais perigosas. Por trás de uma infecção ESBL, que também é responsável pela morte dos prematuros em Bremen, encontram-se enterobactérias resistentes, que pertencem a flora intestinal humana normal, mas constituem um perigo para pessoas doentes e fracos.

 

Quantas pessoas são infectadas?

 

Faltam dados precisos sobre a incidência de infecções hospitalares na Alemanha. Estima-se que em cada ano ao redor 400.000 a 1 milhão de pessoas são infectadas durante estadas em hospital. Estimativas cautelosas assumem 7500 a 15.000 mortes. A Sociedade Alemã para Higiene Hospitalar (DGKH) calcula as mortes anuais por infecções hospitalares, no entanto, em até 40.000.

 

O que torna os germes tão perigosos?

 

Para pessoas saudáveis, o MRSA, p.ex., não é perigoso. Para pacientes imunocomprometidos em unidades de terapia intensiva, que sofrem de câncer, pacientes de cirurgia, ou pessoas com feridas crônicas, entretanto, patógenos multirresistentes podem se tornar um risco e, entre outros, causar infecções pulmonares, infecções de ferida e do trato urinário, ou septicemia. Patógenos resistentes tornaram-se insensíveis a vários antibióticos, o que limitou significativamente as opções terapêuticas. Além disso, são precisos vários dias, até que o patógeno sequer seja identificado.

 

Como surge uma resistência a antibióticos?

 

A resistência de bactérias consiste em que o antibiótico é removido pelos sistemas de transporte específico da célula antes de atuar, ou, então, é neutralizado com a ajuda de enzimas. As resistências podem ser rapidamente transmitidas de bactéria a bactéria.

 

O MRSA pode ser tratado mesmo assim?

 

Basicamente, sim. Apesar do MRSA ser resistente à maioria dos antibióticos, existem os assim chamados antibióticos de reserva, que, via de regra, são dadas apenas no hospital.

 

Como os patógenos multirresistentes são transmitidos?

 

A transmissão ocorre principalmente através do contato direto, razão pela qual a desinfecção das mãos é um dos meios mais importantes na luta contra os germes. Além de uma higiene rigorosa, os especialistas também exigem o uso moderado de antibióticos para prevenir resistências. Porém, infecções no hospital são favorecidas também pelo fato de que cada vez mais pacientes com patologias complexas são tratados.

 

 

Dezenas de milhares de pessoas morrem de germes hospitalares- Um perigo cada vez maior“

 

Cada ano são infectados neste país – conforme os números da Sociedade Alemã de Higiene Hospitalar (DGKH) - cerca de 800.000 pessoas por germes hospitalares, 40.000 delas chegam a falecer. Que em clínicas surgem patógenos, com os quais jamais se teria contato em casa, não necessariamente surpreende. Pacientes e visitantes trazem os germes, muitas vezes até mesmo vivem saudáveis com eles. O perigo aparece quando os germes entram em contato com feridas ou, ainda, com cateteres e são transmitidos para pessoas enfraquecidas. O tema em si é antigo, porém parece ter atingido uma nova dimensão nos últimos anos. Muitas perguntas surgem. Dr. med. Klaus-Dieter Zastrow, médico da higiene e medicina ambiental e porta-voz da DGKH responde na n-tv.de às mais importantes:

 

Dr. Zastrow, o que torna os germes hospitalares tão perigosos?

Klaus-Dieter Zastrow: Os germes não são inerentemente perigosos. Se, entretanto, chegarem a feridas, pulmão, bexiga ou a corrente sanguínea, causam infecções que podem ter um transcurso muito dramático - da simples infecção até a sepse, resultando em morte. O problema é que as assim chamadas bactérias hospitalares são patógenos multirresistentes. Isto significa que cada vez mais antibióticos são cada vez menos eficazes contra esses germes. Por isto representam uma ameaça crescente no hospital.

 

 

Por que se houve nos últimos anos falar tanto de germes hospitalares, muito mais do que antes?

Sempre houve germes multirresistentes, mas alguns agentes apareceram cada vez mais nos últimos anos. A razão é que o problema não era tido como sério e os médicos aplicam antibióticos de maneira inespecífica. Muitas vezes qualquer antibiótico é usado, mas não exatamente aquele que é mais apropriado contra as bactérias envolvidas na doença. Ou é prescrito um antibiótico sem estar claro que de facto se trata de uma infecção bacteriana. Uma aplicação específica de antibióticos iria reagir contra a crescente resistência dos germes. Além disso, a pressão sobre custos e escassez de tempo nos hospitais, a desinfecção insuficiente das mãos e a falta de treinamento de médicos e enfermeiros contribuem para a propagação dos patógenos. Em seu estudo de seis anos, um médico recebe apenas 10 a 20 horas aula sobre higiene.

 

Na Holanda, o problema de germes hospitalares é menor que aqui. Qual é o motivo?

Na Holanda, as medidas de higiene existem não apenas no papel. Ali, os pacientes de risco e a equipe médica são examinados rigorosamente e preventivamente com relação a germes perigosos. Além disso, os médicos na Holanda não podem prescrever antibióticos de maneira não comprovada.

 

É verdade, que algumas prescrições de higiene não são, ou são dificilmente executáveis no cotidiano hospitalar?

Isso é bobagem! Contrário à opinião infelizmente difundida entre chefes de hospital, a higiene não é cara. Torna-se caro, quando uma infecção surge devido à falta de higiene. Porque isto causa frequentemente uma hospitalização prolongada com medidas terapêuticas caras. Sem uma infecção, estas não teriam sido necessárias.

 

O Hospital das Clínicas de Münster é tido como modelo em assuntos de prevenção de infecções. O que é diferente lá em comparação com outros hospitais na Alemanha?

Ali, as medidas protetoras contra MRSA, um dos patógenos hospitalares mais frequentes, publicadas já em 1999 pelo Instituto Robert Koch, foram implementadas rigorosamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como se apresenta uma proteção eficaz contra infecções num hospital?

A proteção mais importante é a observação e o monitoramento rigorosos das regras de higiene existentes. Uma Comissão no Instituto Robert-Koch desenvolveu numerosas recomendações sobre higiene hospitalar. Além disso, pacientes de alto risco podem ser investigados já na admissão com um teste rápido relativo a bactérias multirresistentes. Um paciente infectado ou povoado deve ser isolado consequentemente. E nas clínicas deve haver um especialista em higiene em tempo integral, bem como especialistas de higiene que monitorem o cumprimento das medidas e realizem cursos de formação.

Germes hospitalares em estações de bebês prematuros são particularmente ameaçadores. O sistema imunológico dos bebês prematuros ainda não está maduro. Uma infecção para bebês prematuros nunca pode ser completamente descartada? Ou seria possível uma proteção de cem por cento através de medidas específicas?

Na estrita observação das medidas de higiene, as infecções são preveníveis também em estações de bebês prematuros.

 

 

Toda infecção hospitalar é evitável?

Para determinadas cirurgias, por exemplo, no intestino, onde existem bilhões de germes, apesar da boa preparação, como irrigação do colón etc., uma infecção é possível. No entanto, este risco é calculável, para um tratamento ser iniciado imediatamente. Porém, em operações ou intervenções na articulação, como uma artroscopia de joelho, ou a colocação de uma articulação artificial do quadril, uma infecção pode ser atribuída sempre à falta de higiene. Estas são infecções evitáveis.

 

Como podem germes hospitalares ser enfrentados futuramente na Alemanha? Onde as clinicas devem melhorar?

A política tomou conhecimento do problema como resultado do trabalho educativo o DGKH. Assim, Alei de Proteção contra Infecções foi revisada em agosto de 2011 e a higiene dos hospitais e de outras instalações médicas prevista na lei. Clínicas devem claramente melhorar a higiene e rigorosamente implementar os padrões de higiene. Para isso é necessário que médicos e enfermeiras tenham uma consciência de higiene, e que as medidas elaboradas pela ciência sejam integradas nos processos de trabalho do pessoal médico. Todos os hospitais devem dispor de suficiente pessoal especialista em higiene. Só então pode ser assegurado por meio de instruções técnicas e controles, que as normas sejam aprendidas e respeitadas.

 

Os próprios pacientes podem fazer algo contra a contaminação por germes potencialmente perigosos?

Quando uma internação hospitalar ou uma intervenção invasiva estiver programada, o paciente deve informar-se se o hospital tem um departamento de higiene ou especialistas em higiene. O paciente pode também observar, se tiver condições de saúde para tal, se os médicos e enfermeiras sempre desinfetam as mãos antes de um tratamento. No entanto, o paciente é o elo mais fraco da cadeia. Ninguém pode seriamente querer que o próprio paciente possa contribuir para a prevenção de uma infecção hospitalar. O paciente chega doente, com dor, ou até gravemente ferido e inconsciente ao hospital. Ele deve verificar os médicos e as enfermeiras neste estado?

Isto é uma piada de mau gosto! O paciente não apenas tem o direito de encontrar pessoal altamente qualificado, mas também de receber um tratamento de higiene incontestável.

 

 

Germes hospitalares ...

... são bactérias multirresistentes. Isto significa que contra infecções com esses patógenos vários antibióticos podem ter pouco, ou nenhum efeito.

 

MRSA: não é o germe hospitalar mais perigoso, mas o germe mais conhecido. Ele causa cerca de 30 por cento de todas as infecções hospitalares. Anualmente, Porque a cada ano leva até 2000 pacientes a óbito. Atrás da abreviatura escondem-se bactérias da espécie Staphylococcus aureus, que se tornaram resistentes aos antibióticos, como a meticilina. São na Alemanha mais de 20 por cento do Staphylococcus aureus, na Holanda, é menos de 1 por cento. MRSA aparecem em três grupos: - animais em rebanhos e estábulos. Dos animais podem passar para os seres humanos; - como variante agressiva, que também deixa adoecer pessoas saudáveis (apenas cerca de 2 por cento de todos os MRSA na Alemanha pertencem a esta variante); - o MRSA hospitalar. São as prevalentes na Alemanha. As bactérias vivem na nasofaringe de pacientes. O paciente as traz para a clínica, onde se propagam, p.ex., ao espirrar. As bactérias podem causar abcessos, infecções no trato urinário e nas vias respiratórias e septicemia.

 

Pseudomonas aeruginosa: provoca cerca de 10 por cento de todas as infecções hospitalares na Alemanha. Pode causar pneumonia e infecções do trato urinário, meningite ou endocardite.

 

Escherichia coli / Klebsiella: pertencem aos formadores de ESBL, significando que podem formar enzimas que destroem a maioria dos antibióticos, incluindo a penicilina. Em muitas pessoas já existem como agentes infecciosos nos intestinos. Eles são transmitidos através do contato com secreções que contêm agentes (fezes, feridas). Algumas cepas de e. coli podem causar doença intestinal grave e danos renais. Klebsiella pneumoniae pode provocar infecções do trato urinário e respiratório. Formadores de ESBL estão em ascensão.

 

Enterococos: são bactérias do intestino também encontradas em pessoas saudáveis. São transmitidas de pele para pele, como as mãos, ou por objetos contaminados. Algumas cepas podem levar a infecções do trato urinário ou também à endocardite.

 

Staphylococcus epidermidis: estabelecem-se na pele humana e mucosa, também podem ser encontrados em alimentos e é dificilmente constitui ameaça para as pessoas saudáveis. Em pessoas imunodeprimidas, porém, a bactéria pode levar a doenças cardíacas e de infecções graves de feridas. 70 por cento das cepas de Staphylococcus epidermidis são resistentes à penicilina e à meticilina.

 

Fonte: n-tv.de